10 de set. de 2008

Odeio-te

Odeio carros e o barulho de seus motores, sua fumaça e os combustíveis que consomem, o espaço físico que tomam nas cidades, as mortes e acidentes causadas por eles e seus motoristas. Odeio gente que se acha mais do que outras pessoas por que possui carro e odeio mais ainda pessoas que valorizam alguém por possuir carro.
Odeio asfalto, faróis de veículos batendo na vista, faróis de trânsito, placas de trânsito, guardas de trânsito.
Odeio fábricas, montadoras e lojas de carros. Odeio que quem compra carro. Odeio quem vende. Odeio pneus e seus cemitérios. Odeio "marias-gasolina" e "co-pilotos".
Odeio oficinas mecânicas, funilarias, borracharias, auto-elétricas, auto-peças...
Odeio ruas, avenidas, cebolões, viadutos, pontes e a forma como a estrutura e a paisagem das cidades são defenestradas em função dos carros.
Odeio buzinas, som alto em carro de playboy otário e aqueles carros que passam com caixa de som encima fazendo propaganda.
Odeio ver carros. Odeio propaganda de carros. Odeio competições de som em carros, rachas, ralies, grande-prêmios e etc.
FODA-SE SEU CARRO! Vou explodi-lo.

Flashback Urbanóide

cabuladas e fliperamas
asfalto molhado de chuva à noite
tantos anéis nos dedos que mal consigo pôr as mãos nos bolsos
fones nos ouvidos e ônibus lotados
calça rasgada no joelho
trem desliza pelo avesso da cidade
rolês pelo centro
rebeldias incontidas & fugas para o mato &
histórias em quadrinhos
duas salsichas verdes no dog do centrão
50 cents no único bolso não furado

por Dan T.

25 de ago. de 2008

anárquica...mente

eu não quero ser igual
a vocês
imensa maioria
sequer buscam algo
suas vidas são meros decalques
da mídia consumista-capitalista
precisam da T.V. para se identificar
estou em outro plano

não tente controlar minha mente
anárquica...
ela é conscientemente independente
você acaba levando uma rasteira na idéia
por estar de fato muito convencido
de suas pseudo-verdades
da sua diluível e controversa moral de ocasião

eu sou Deus
enquanto vocês temem a Deus
desconhecem/ ignoram
suas responsabilidades divinas
como seres criadores
(inúteis adoradores)

as suas destruições visam o fim
mas o fim não é viável ao infinito
só porque seus corpos acabam por apodrecerem, frios
querem apagar tudo o que
transmita vida incandescente inesgotável
desconhecem a alquimia

não tentem adivinhar qual será meu momento seguinte
meus pensamentos ocorrem
em um rítmo, tempo, intensidade
e melodias absolutamente incompreensíves
pela mediocridade funcional das
suas cabeças programadas
(condicionadas)

não tenho furos de dentes de vampiro no meu pescoço
quanto a vocês é só esticar o canudinho
estão constantementes sugando uns aos outros
cãezinhos adestrados do sistema
são fodidos e querem foder

eu sou a resistência (!)
estou só, mas não sou o único


por D.T.

14 de ago. de 2008

você aí
pisando na cabeça do mais fraco
até sangrar
quando a lâmina do inimigo
varar tuas tripas
e você engasgar e soluçar
não haverá mais tempo
nem passado nem futuro
claro ou escuro
beco ou muro
rico ou duro










por D.T.

Um novo salto

trovões longos e soberanos
o céu se acende segundos antes

como quando criança desejo o blecaute

um novo salto


cachorros se abrigam sob marquise estreita
homem mira buraco do canto esquerdo
na mesa de sinuca e quase acerta
o meio
frango assado em pedaços na vitrine do balcão
não há música aparente

chove toprrencialmente
porém não faz tanto frio como supunha
neste começo de agosto, a água cai
com a brisa que remete
ao litoral, aqui de cima da serra
as ruas silenciam
pessoas entocadas nas casas, butecos
carros atravessam com seus motores barulhentos

quantas gotas de chuva já te atingiram
quantas vezes se deixou enxarcar



por D.T.
mergulhar
em água bem gelada de cachoeira
há um pote de outo bem no fundo
também na caverna, você sabe
já esteve em todos esses lugares
defendeu a vida com um pedaço de pedra pontuda
caminhou centenas de quilometros
avistou cidades que desapareciam sob a névoa
atravessou o mar em barco a vela

aplicar uma dose maciça de cannabys na veia
e flutuar
em um céu azul, tão azul
como um iceberg




por D.T.

NOS GROTÕES DA IMENSIDÃO

Quase na total escuridão.
Não há postes de iluminação públicos, talvez duas ou três janelas acesas na rua e todo céu infinito. Apenas ouvem-se vozes sobrepondo-se nas casas, latidos de cães ao fundo. Aparentemente sem som de TVs, mas distante um barulho estridente e contínuo, uma massa sonora que meu bom-senso percebe que não se trata de uma carnificina e sim algum toca-discos em volume altíssimo, ao longe, violentando a natureza sonora ambiental.
Não há lua nesta noite, o céu é todo das estrelas . Elas e todas a s formas de luzes piscando e varando o breu. Aqui mais embaixo, de vagalumes.
Estou sentado neste banco de madeira na rua de terra, a algum tempo. horas, dias, meses, anos...
Gansos começam a grasnar na casa um pouco ao lado, violentamente.
Em seguida um número infinito de pintinhos começam a piar incessantemente e há também patos, galinhas , passarinhos e todos parecem querer participar desses evento sonoro, é uma sinfonia anárquica.
[Tem luzes de todos os tipos atravessando o céu]
Tudo se aquieta até que os cães novamente se põem a experimentar romper o silêncio.
[Sou só ouvidos]
Na casa em frente, atras de um portão de ferro um cão enorme late na minha direção. A parca luz da casa do outro lado da rua projeta uma gigantesca sombra do cachorro, definindo suas orelhas e formas de lobo/pastor.
Quase ou mesmo totalmente imerso no ambiente envio uma mensagem telepática para o cão, que se aquieta, atento aos sons da vizinhança.
[De dia haviam helicópteros, voando baixo]
[Começa a ficar frio, ergo a gola da jaqueta, mas não me incomoda]
Enquanto o astro rei dava sua graça estive até o fim da trilha, e certamente havia mais além.





Por D.T.